Artigo Petanca - mar d'estórias

Hoje falamos de um jogo tradicional que já é considerado um desporto – a petanca.  Este desporto federado em Portugal, desde 1992, foi trazido de França por emigrantes no início dos anos 80 e tornou-se numa engenhosa forma de colocar a conversa em dia e de praticar exercício ao ar livre.

O Mar d’Estórias foi trocar dois dedos de conversa com Carlos Marques, jogador federado de petanca, do C.C.D.T. da Câmara Municipal de Lagos1, para perceber a importância deste jogo sem idades e classe social!

petanca

Carlos conta que aprendeu as regras do jogo e que começou a treinar para ser “tirador”, ou seja, para afastar a bola de metal do adversário da pequena bola de madeira (cochonette), de forma a ganhar o ponto: “quando comecei a jogar petanca treinava sozinho, pois todos eram melhores “tiradores” porque eu que não tinha prática”. Recorda que iniciou o seu gosto pela petanca em 1993/4, pouco tempo depois de começar a laborar na Câmara Municipal de Lagos: “a petanca foi federada em 92, mas antes disso já havia quem jogasse aqui”. O gosto pelo convívio e por aperfeiçoar o jogo levou-o a adquirir um trio de bolas e mandar gravar o seu nome, em 1996: “o trio foi caríssimo na altura! Gastei cerca 260€ nas bolas”.

Este é um jogo de estratégia, precisão e camaradagem que se desenrola em tardes solarengas: “a malta reformada a partir das 2h e pouco começa a reunir-se aqui para uma partida ou duas”, menciona Carlos que apenas se junta depois de findo mais um dia de trabalho. Os 26 jogadores (de entre os quais 4 jogadoras) que perfazem o quórum de sócios, jogam, socializam e melhoram o seu jogo: “alguns têm aptidão para jogar a pontos, outros para “tirar” (…) depende de cada um e de muita coisa”. São organizados “torneios de brincadeira”, onde qualquer pessoa pode jogar. Aí, convivem, conhecem outras pessoas e passam os dias em contacto com a natureza, competindo para ganhar “presuntos, galinhas e cabazes de natal”! Os almoços são feitos em conjunto, onde cada um “leva o seu farnel” que aquecem nos fogões dos próprios clubes – um sentido de comunidade e companheirismo sem igual! No entanto, “são poucos os jovens que têm gosto pela modalidade”, sendo na sua maioria os mais velhos que têm disponibilidade para se dedicarem à petanca.

Não obstante, a brincar vai-se levando esta modalidade a sério, senão não teríamos três jogadores algarvios a competir no Campeonato do Mundo da Petanca, que decorreu no Canadá em Setembro. Hugo Dores, Paulo Jacinto (do CDC Nave, de Monchique) e Hugo Rodrigues (do Quarteirense) integraram a equipa que se classificou “entre as 16 melhores equipas do mundo”.2 No passado também Carlos Marques representou Portugal a nível mundial, por duas vezes: em Pattaya, na Tailândia (2007) e em Marselha, na Espanha (2013). Apesar de Portugal ter menos de 2.000 jogadores de petanca, em comparação com mais de 300.000 federados em França, estes são dedicados, comprometidos e orgulhosos em representar o país além-fronteiras.

 

Nota: Se não está familiarizado com as regras da petanca partilhamos consigo um artigo que explica este jogo tradicional já tão enraizado também por cá –  https://bit.ly/2FCNDIb.

 

1 Centro de Cultura e Desporto dos Trabalhadores da Câmara Municipal de Lagos
2 Mencionou a Federação Portuguesa de Petanca, em comunicado.