Até pode ter-se mudado para Portugal por causa da temperatura amena, do sol, das praias e dos dias longos, mas ninguém o preparava para as pequenas coisas que tornam este país tão viciante. Ao fim de algum tempo, já sabe exatamente como pedir o seu café e começa a especializar-se nos hábitos portugueses, até chegar ao ponto de pedir uma bica sem pensar duas vezes. Aí, já não há volta a dar.
Se quando vai a um café, já sabe exatamente o que significa uma bica, uma meia de leite, um galão ou um café cheio, é sinal de que o que há de mais natural num português começa a entrar-lhe nos poros. Para além de conhecer os significados de cada bebida, já sabe que ir ao café pode ser um evento social que dura duas horas e que não há necessidade de se levantar assim que termine o café e o pastel de nata.
Continuando no tema dos cafés como locais de socialização, já conhece provavelmente um dos pequenos-almoços mais reconfortantes de todos: uma torrada com manteiga e um galão quentinho. Simples, mas o cheirinho a pão quente e a café logo pela manhã traz uma alegria inesperada às primeiras horas do dia.
Se no seu armário já só há lugar para sapatos rasos, então é porque já foi apresentado à lindíssima, mas desafiante, calçada portuguesa. Não há lugar para saltos altos e sapatos desconfortáveis quando se anda por estas ruas. No verão, sandálias rasas; no inverno, ténis. Afinal, é preciso estar preparado para a caminhada diária até à mercearia.
É que, em Portugal, a relação com a mercearia é quase diária. É lá que se vai buscar o pão fresco, a fruta, os legumes e aquilo que falta para o jantar. Nem que seja uma conserva de sardinhas ou de atum. Afinal, é o fast food à portuguesa, mas um pouco mais saudável.
A hora do jantar já passou há muito do horário normal e agora só conhece jantares tardios entre amigos, que podem ou não acabar com uma imperial ou uma mini na mão, em vez da típica caneca. Mas ainda durante o jantar, já perdeu a conta das vezes que pediu o vinho da casa, porque sabe que pode ser uma agradável surpresa a um preço muito simpático.
Aos fins de semana de verão, ir à praia já é quase um ritual. E, a certa altura, percebeu que não há nada melhor para contrariar o sal do mar do que uma bolinha de Berlim, com aquele açúcar por cima e o recheio de ovo a fazer o resto. Porque é claro que os vendedores de bolas de Berlim vão aparecer. Percorrem a praia de uma ponta à outra, lançam o pregão e, de repente, aquela bolinha que nem estava nos seus planos parece uma necessidade absoluta.
Se já sabe que, quando alguém diz “bué da fixe”, não está a falar de peixe (fish), mas simplesmente a dizer que alguma coisa é muito boa, pode considerar-se oficialmente integrado. O seu português está a chegar a níveis respeitáveis. Outra parte linguística que leva um pouco mais de compreensão são as distâncias. Para um típico português, qualquer local é “já ali”, uma expressão que significa que o destino é perto. O problema é que, quando vamos a ver, esse “já ali” pode significar uma caminhada de vários quilómetros. Se já aprendeu a não confiar cegamente nesta unidade de medida, está definitivamente a evoluir.
Ainda a descobrir Portugal?
Se chegou há pouco tempo a Portugal e ainda está a descobrir estes pequenos prazeres, há lugares que podem ajudar a acelerar o processo. O Mar d’Estórias, em Lagos, é um deles. Entre conservas portuguesas, bons vinhos, queijos, marmeladas, doces tradicionais, roupa, perfumes e tantos outros produtos feitos em Portugal, há muito por onde começar a conhecer o país e a descobrir tudo o que tem para oferecer.
E, depois de escolher o que levar para casa, pode sempre sentar-se no terraço, pedir um café e ficar mais um bocadinho. Afinal, já aprendeu uma das regras mais importantes: não há pressa para ir embora quando a conversa e a vista são boas.
Quantos destes hábitos já fazem parte da sua vida em Portugal?
□ Já pediu o vinho da casa num restaurante.
□ Já percebeu que “é já ali” não é propriamente uma unidade de medida confiável.
□ Já trocou os saltos altos por sandálias rasas ou ténis para enfrentar a calçada.
□ Já passou pela mercearia só para comprar pão fresco.
□ Já sabe que uma bolinha de Berlim na praia é praticamente obrigatória.
